Diário do Cotidiano | Princípios editoriais

O DC – DIÁRIO DO COTIDIANO, foi criando originalmente no ano de 18 de novembro de 2010, com o propósito de levar até o usuário a informação mais relevante. Nosso site busca as informações de interesse público em sites governamentais, em denúncias e sugestões de leitores, e também em fontes próprias.

A ética jornalística é o conjunto de normas e procedimentos éticos que regem a atividade do jornalismo do DC – Diário do Cotidiano. Ela se refere à conduta desejável esperada do profissional. Portanto, não deve ser confundida com a deontologia jornalística ligada à deôntica. A deontologia se refere a uma série de obrigações e deveres que regem a profissão. Embora geralmente não institucionalizadas pelo Estado, as normas da ética jornalística são consolidadas em códigos de ética que variam de acordo com cada país.

Atualmente, o jornalismo oscila entre a imagem romântica de árbitro social e porta-voz da opinião pública e a de empresa comercial sem escrúpulos que recorre a qualquer meio para chamar a atenção e multiplicar suas vendas, sobretudo com a intromissão em vidas privadas e a dimensão exagerada concedida a notícias escandalosas e policiais.

Jornalismo é também definido como “a técnica de transmissão de informações a um público cujos componentes não são antecipadamente conhecidos”. Este particular diferencia o jornalismo das demais formas de comunicação. Atualmente, o termo “jornalismo” faz referência a todas as formas de comunicação pública de notícias e seus comentários e interpretações.

O tipo de jornalismo de ética duvidosa ou contestável é chamado de imprensa marrom.

Relevância e utilidade pública

Tudo aquilo que o jornalista escreve, deve partir de uma noção de relevância: o que o público considera importante, o que a população precisa saber. Seja em âmbito local, nacional ou internacional, esse deve ser um dos pontos de maior atenção, não apenas pela questão se o jornal ainda ser um produto que necessita da valorização dos seus clientes, mas porque os veículos jornalísticos carregam, em si, a “missão” de informar corretamente e levar, ao público, aquilo a que ele não tem acesso completo.

Assim, um dilema que facilmente pode ocorrer no cotidiano em redações é o de o que publicar e o que deixar de lado. Cada veículo possui sua linha editorial, que dita que tipo de acontecimentos receberão uma maior cobertura. Entretanto, para além disso, o jornalista deve pensar nas consequências de seus atos. Exemplificando: um profissional descobre que uma empresa de grande porte, que emprega milhares de cidadãos em uma área, vende um produto inadequado, que pode destruir a vida de muitos. O jornal expõe a venda criminosa e a empresa acaba fechando as portas. Por mais que o jornalista tenha tido a intenção de salvar vidas, por outro lado, ele foi responsável pela perda de milhares de empregos.

Cabe, ao jornalista, pesar seus atos e as consequências deles. O que seria mais importante? Salvar as pessoas ou seus empregos? A revelação de casos como esse recaem no chamado jornalismo cívico, que pretende estreitar a relação entre os profissionais e as comunidades a que servem, tendo-as como prioridade.

Objetividade

Um princípio comum no jornalismo é o da objetividade, que prega que o texto deve ser orientado pelas informações objetivas, não subjetivas — ou seja, descrevendo características do objeto da notícia, e não impressões ou comentários do sujeito que o observa (no caso, quem redige a matéria). Por exemplo, o texto jornalístico pode conter grandezas (altura, largura, peso, volume, temperatura etc.), propriedades materiais (forma, cor, textura etc.) e descrição de ações, mas não adjetivos e advérbios opinativos (“bom”, “ruim”, “melhor”, “pior”, “infelizmente” etc.).

Mais recentemente, no entanto, diversos críticos e profissionais têm refutado este princípio, alegando que, na prática, “a objetividade não existe”, pois toda construção de texto é um discurso e uma narrativa em que ocorrem seleções vocabulares influenciadas por ideologias, pela práxis e por outros valores subjetivos.

Estes críticos costumam referir-se a este princípio, desdenhosamente, como o “Mito da Objetividade”.

Imparcialidade

A questão da imparcialidade é também central nas discussões sobre ética jornalística. É difícil distinguir textos jornalísticos objetivos do chamado jornalismo opinativo. Jornalistas podem, intencionalmente ou não, cair como vítimas de propaganda ou desinformação. Mesmo sem cometer fraude deliberada, jornalistas podem dar um recorte embasado dos fatos sendo seletivos na apuração e na redação, focando em determinados aspectos em detrimento de outros, ou dando explicações parciais — tanto no sentido de incompletas quanto de tendenciosas. Isto é especialmente efetivo no jornalismo internacional, já que as fontes da apuração estão mais distantes para serem checadas.

Verdade e precisão

Todos os códigos de ética do jornalismo incluem, como valores e preceitos fundamentais, a busca da verdade, a veracidade e a precisão das informações.

No Brasil, o Código de Ética da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), estabelece, no art. 2º, I, que “a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários” e no art. 2º, II, acrescenta que “a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos”. Por fim, o artigo 4º afirma que “o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação” e o art. 7º, que: “O jornalista não pode (…) II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação” [1].

Por sua vez, a Declaração de Princípios sobre a Conduta do Jornalista, da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ ou IFJ, na sigla em inglês), afirma que “jornalistas dignos do nome” (art. 9) devem seguir fielmente o princípio estabelecido no artigo 1º: “O respeito à verdade e ao direito do público à verdade é a primeira obrigação do jornalista”[2].

Confidencialidade

As fontes jornalísticas são pessoas, entidades e documentos que fornecem informações aos jornalistas, seja emitindo comentários e opiniões, verificando o rigor de dados obtidos ou aferindo a veracidade dos juízos de valor que lhes foram confiados. Em vários casos, as fontes concordam em prover estas informações desde que sua identidade seja preservada incógnita pelo jornalista com quem conversa. Nestas situações, o profissional (repórter, editor ou redator) tem o dever de mantê-la no anonimato e só pode revelá-la caso autorizado pela própria fonte. A confidencialidade é conhecida pelo termo inglês off (de off the record, “fora da gravação”), e pode ser de vários tipos:

Off the record: qualquer declaração ou informação privilegiada passada ao jornalista pode ser publicada, contanto que não seja atribuída à pessoa que falou. Ou seja, a fonte não quer ser identificada. Dá a informação de forma privilegiada ao repórter, mas deseja que seu nome não seja mencionado.

Off simples: obtido pelo jornalista e não cruzado com outras fontes independentes. Se tiver relevância jornalística, pode ser publicado em coluna de bastidores, com indicação explícita de que se trata de informação não confirmada. Eventualmente, um off simples de fonte muito confiável é publicado como notícia sem cruzamento.

Off checado: informação off cruzada com o outro lado, ou com pelo menos duas fontes independentes. Em texto noticiado, o offchecado’ deve aparecer sob a forma: “O Jornal apurou que etc…”, a ser usada com consentimento. Admite-se que o texto indique a origem aproximada da informação: “O Jornal apurou junto à equipe médica do Hospital Santa Maria, que o governador…”.

Off total: informação que, a pedido da fonte, não deve ser publicada de modo algum, mesmo que se mantenha o anonimato de quem passa a informação. O off total serve para nortear o trabalho jornalístico.

Nos Estados Unidos, entre 2003 e 2005, houve um famoso caso de quebra de confidencialidade de fonte que foi determinada pela justiça, envolvendo a repórter Judith Miller, do New York Times, o colunista Robert Novak, do Washington Post, e a agente da CIA Valerie Plame.

Também em 2005, no mesmo país, foi revelada a identidade do informante Mark Felt, conhecido como Garganta Profunda, que, entre 1972 e 1974, servira como principal fornecedor de informações confidenciais aos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein no caso Watergate.

Jabá

Algumas relações entre jornalistas e os assuntos de suas matérias chegam a ser promíscuas, principalmente quando as fontes e personagens oferecem benefícios materiais em troca de exposição na mídia, publicidade ou elogios. Na maior parte das vezes, porém, este tipo de “propina” ou “suborno” ocorre tacitamente, veladamente, para evitar que alguma das partes seja formalmente acusada. Uma maneira comum de oferecer esta troca é enviar presentes ao responsável pela matéria. No Brasil, esta prática de suborno implícito é chamada pelo jargão jabaculê ou simplesmente jabá.

Matéria encomendada

Também é um problema ético quando determinadas assessorias de imprensa negociam com jornalistas dos veículos a inclusão na pauta de determinado assunto que seja de interesse da instituição ou do indivíduo que elas assessoram. Nos casos em que o assunto, por conta própria, não tenha valor noticioso suficiente para ser publicado, diz-se que a matéria foi “plantada” na redação — ou seja, nascida no ambiente externo à redação, e não naturalmente, pelo “faro” dos repórteres.

Quando, por outro lado, a pauta é indicada por um superior na redação, por um dos diretores, executivos ou até pelo dono do veículo, diz-se que a matéria é “recomendada”, termo que, no jargão jornalístico, é conhecido como reco, pauta rec ou pauta 500.

Ética

Geralmente, é um valor social que identifica, qualifica e guia princípios universais e crenças e ações humanas. A palavra “ética” vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao “bom costume”, “costume superior”, ou “portador de caráter“.

Na filosofia clássica, a ética não se resumia à moral (entendida como “costume”, ou “hábito”, do latim mos, mores), mas buscava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada quanto em público. A ética incluía a maioria dos campos de conhecimento que não eram abrangidos na física, metafísica, estética, na lógica, na dialética e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, às vezes política, e até mesmo educação física e dietética, em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão clássica da ética pode ser encontrado na obra Ética, de Spinoza. Os filósofos tendem a dividir teorias éticas em três áreas: metaética, ética normativa e ética aplicada.

Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como “a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas”[1] e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.

Ética, como um conceito, diferencia-se da moral pois, enquanto esta se fundamenta na obediência a costumes e hábitos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar as ações morais exclusivamente pela razão.[2][3] A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.

pauta 500.